Interessa-me o que vai além de seus gestos.
Interessa-me o trejeito.
Interessa-me a dor pra curar.
Interessa-me o ex-amor pra exercitar - paciência 


Cansa-me o descaso
Cansa-me o cansaço 
Cansa-me casa sem casos
Cansa-me o ócio sem voz


Alegra-me o carinho
Alegra-me o sorriso
Já o amor me faz cócegas dentro do crânio 

Insulta-me o mau-humor
Insulta-me a indelicadeza 
Insulta-me? - silêncio!



É carnaval! Sei que está em algum lugar temperado porque não suporta o calor. Procura uma sombra ou vai de "sombrinha" pra todo lugar - mais linda que há.
Está em qualquer lugar condicionado à contemplação.
Assistirá a histórias em telas - histórias para inspirar.
E deve haver caneta e papel por aí.
Vejo seu sorriso manso de lado e recordo cada encontro.
Eu ouço todos os seus sons por aqui - riso, voz e passos.
É carnaval e estamos em sintonia mesmo que incomum em planos.
Não ouviríamos nenhum som externo e nenhum sentimento oposto a nossa frequência.

Vamos deixar nossa mente pular de alegria com o silêncio dos nossos sons.
Em qualquer tempo verbal eu sinto que está em mim.
Eu guardo um centímetro quadrado e incontrolável de dor que dói muito mais que mil agulhas no corpo (sei que assim entenderá) e tenho toda a imensidão do amor em cada olhar e olho por dentro, mais profundo do que seu primeiro suspiro.

Respiro.
As pessoas estão lá fora de nós, vertendo vida pelos poros.
E a mim restaram águas nos olhos - água que sai salgada, e que só acalma quando acaba.
É a festa da carne.
E pra nós a alma é a arma desse amor.
É carnaval. Nossa fantasia é sair da prisão dos corpos ou nos aprisionarmos em nosso mundo de liberdade. 
Agora podemos fugir em nós. Espera... espero... inspiro... expira...  E não expira de mim.

com todo amor que não posso mensurar a Gabi Bertelli