Eclesiastes


Às vezes
Almejo um canto num tempo perdido pra cultuar
Meus amores sem ser punido

Às vezes
Quero só desabar num chão duro pra respeitar
O desentendimento alheio aos meus anseios

Todas as vezes
Que vejo seu sorriso por debaixo dos meus cabelos
Choro de vontade
Desses seus olhos que já
Não vejo

Nunca esqueço

Às vezes
A vida vence a verdade de morrer e endureço

Outras
A angústia invade com vontade de gritar e estremeço

Muitas vezes
Sinto a cabeça descolar e emudeço

Algumas noites
Ouço músicas que trazem você e entorpeço
Em sonhos vejo todo o seu corpo
Acordo e enlouqueço

Outras tardes
São fotos pra colar fatos e tropeços

Às vezes
Dói por duas horas sem parar ou dois dias ou mais
Não me lembro

Às vezes
É raiva por não poder culpar
Ninguém que conheço

Desses trezentos e tantos
Dias infinitos

Outras tantas
Bastante dor mesmo

Mas sempre é saudade
Sempre o é
Saudade sempre é
Saudade

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