Vem numa falta de pudor
Invade  meu corpo
Arrebata alma
Tremo dos pés ao topo

Aperta o peito
Soca o estômago
Mói o fígado e coração

Fecho os olhos
Com força
Grito pra não ouvir
Empurro aos solavancos
Aferra-se a me despir
“Corre longe”
“Vai embora”

Volta se bem entende
Ignora prazo ou dor
Leva o prazer de meu olhar
de leve como arrancar uma flor
volta de mansinho
Pra dominar

Um sorriso me desenha
Teima e desdenha
Deixo-a entrar,
Sem demora
Amparo em ar

Choro em raiva
Enrubescida por fraqueza
Eu - escrava de um destino
Ela – enaltecida por destreza

Sem energia para o não
Aceito então
Com cólera
Coleira
Por colo suplico
Pele empoeirada
Boca seca

Eu e a saudade
Por força de vontade
Acabamos por nos casar...

in M. GBO


O silêncio é bom
Acredite
No sim, em si
Há que experimentar 
Se pode sente sublime o ar
O intrínseco de cada pedaço 
Inspire - expire 
Inspirado ex-pirado

Esculpir o que te machuca
Em silêncio
Depois sublimar 
É vencer calado
Melhor agrado não há

Um beijo em silêncio importa barulho
Imerso em corpo
Propenso
O abraço aquieta
E vai até o sonoro
Bem estar
Trocar fluídos em silêncio pode
Terminar em grito – um grunhido

Silêncio é prece
Pausa há pra nos tocar
A ponto de derramar água salgada
Sem declamar
Assim a música se dá 

Silêncio em viagem apura os sentidos
Não há solidão em silêncio
Compreendido
Não há imensidão no comedido

O silêncio é divino
Quando se sabe deleitar
Sente
Deite
Escute-o
Até que todos os seus eus
Resolvam se acalmar

Venha em silêncio
Que a magnificência
Fará seu som perdurar