Eu
Que andava sem intervenção 
Acolhida em poesia 
Ouvia dores
Ou via

Eu 
Que estava longe de 
Qualquer padrão a fusão

Eu 
Que estava só em mim
Já era 
Fiz daquela hora 
Uma noite inteirinha 
Um outro sono
Novo bom dia 
Misturei não-sei-quê
Com mais coisa que perdia
Fui do desassossego ao
Amanhã a gente combina
Multipliquei sonho por vontade
Subtraí horas pelas tardes
Pra chegar onde eu não ia

Eu
Que estava recolhida 
Ali - em mim; sabe? na minha
Estou mais lá
Do que o frio que me dá
Na barriga
Aperta o peito
Dá-me o peito?!

Eu
Que não sei onde vou parar
Por causa desse dito olá 
Mudo pronome, verbo, tempo
Pra justificar essa saudade 
De coisa que nunca vi
Não vivi
Verdade parecida 

Reza a lenda 
Todo mundo ama uma vez 
Pelo menos 
Por vida 

Mas 
Eu? divido
Eu não, devido

Era eu duvido?


Talvez melhor seria
Perder-se por um dia
Lembrar que não sabia
Viver de rebeldia
Sorrir à revelia
Censurar a covardia
Pensar que não sentia
Desejos em agonia
Nostalgia

Talvez melhor seria
Esculpir talentos
Impor-se em momentos
Estirar-se ao vento
Paquerar em movimento
Estar somente só
Olhar sem sentir dó

Talvez melhor seria
Proteger-me da partida
Trocar a escolhida
Viver descontraída
Perder-me em bebida

Talvez melhor seria
Ter os lábios encostados
Quatro braços enlaçados

Talvez melhor seria
Ater por garra vida minha

Atrevida