Seu inverso de frequência
Faz-me rouco
Eloquência 
Diz-me louco
Sai de força e pressão
Surge acima
Vem de perturbação
Amanhece à minha vista
Traz a calma
Com a fúria
Redonda de sua dança
Faz graça
E balança
Vem e me acalma!
Alta,
Faz lambança
Vem com o vento de seu berço
Abaixa,
Traz o mantra
Vem mansinha, arrebenta
De repente
Vai e volta, vai e volta
Põe-me manto
Vem e lança
Consta a mente
Arrebata e sai contente
Vai e volta, vai e volta
Faz charme
Volta! Vem!
Alucina
Bate em peito
Perigo num umbigo
Espera!
Não reparo
Emoldo pele
Não, não paro
Areia mole
Que me rala
Sinto sol
Em boca minha
Envolve
Interna mente
Teu olhar
Que arde
Gosto de sal
Que não mente
Enrosco e toco
Meu cabelo
Destrói meu castelo
Faz-me rir
Dos beijos ternos
Que entreguei
A que não quero
Deito em camas
Que enterro
Faz-me gosto
O desgosto
Num deslize
De sorriso
Vem de brisa
Arrepia
Entorpece sem fumaça
Lança
Bem marola
Quando passa
Não enrola
Torce bico
De equilíbrio
Mais profundo
De águas
Mornas e
Veloz
Cidade
Cíclica - uh
Interage  
Com imagem
Engasgo som
Voz complica
Distante de sua terra
Que é água
Faz em mim 
lar - ah
A se banhar
Peço licença
Pra entrar
Entorpeço
Ofereço
Prendas minhas
Agradeço

Bem vindos, 
ao meu

MAR

Este baú sombrio do tamanho seu
Pinta cicatrizes
E linhas que se alinham 
A boca minha

Este baú grande e frio
Com choro escolhido
Guardou seus sonhos nossos
Reprimidos?

Essa caixa florida a que desvio o olhar
Entoa sons quadrados a decifrar
Notas que não ouso tocar

Essa caixa que lhe guarda
É capaz de escutar
Meu pranto
Ou sussurros de meus dedos?

Este baú não pulsa seu sangue
Essa caixa que não consigo enxergar
Levou daqui seu andar
Tirou seu sorriso do lugar
Teus cachos penteados em caixa
Teus olhos sumiram em cor
Seus óculos
Amplexos e ósculos
Assumiram seu olhar?

Vive em mim vida em flor
Viva em mim
Peço por qualquer Força
Viva em mim, por favor
Suplico
Replico a quem possa
Dar-me ombros pra molhar

Essa caixa que não lhe encaixa
Este baú que não combina
Com palavras minhas que já lhe dei
Com coisa alguma que escrevi
Algo que nem li ou recitei

Essa caixa fria não lhe guarda
Aguarda-me
Este espaço que ocupa
Pra onde irei
Não me acolhe em peça

Este baú que me atormenta os sonhos
E sons
Vindos das camas que lhe ninei

Essa caixa escolhe os cortes
Dos cabelos seus?
Traz minhas dores
Peculiares, escondidas, estarrecidas
Imensas, fortes
E todas as outras que ainda terei

Este baú me diz viva! VIVA!
Que o tempo lhe pertence
Em pedaço que estarei

Essa caixa fria e rude
Guarda maior loucura que formei
Tudo que pude
Quer cinzas dos seus verdes
Pretos, vermelhos e laranjas
Que admirei

Essa caixa fria
Esfria-me
Dos pés
Aos véus
Seus
Que esperarei

Este baú não é nosso
Nem tampouco foi por onde lhe criei

Esta caixa não nos encaixa
Nem seus braços e abraços
Ou pensamentos que tenho
Nem dos céus


Que repousei

Às vezes
Almejo um canto num tempo perdido pra cultuar
Meus amores sem ser punido

Às vezes
Quero só desabar num chão duro pra respeitar
O desentendimento alheio aos meus anseios

Todas as vezes
Que vejo seu sorriso por debaixo dos meus cabelos
Choro de vontade
Desses seus olhos que já
Não vejo

Nunca esqueço

Às vezes
A vida vence a verdade de morrer e endureço

Outras
A angústia invade com vontade de gritar e estremeço

Muitas vezes
Sinto a cabeça descolar e emudeço

Algumas noites
Ouço músicas que trazem você e entorpeço
Em sonhos vejo todo o seu corpo
Acordo e enlouqueço

Outras tardes
São fotos pra colar fatos e tropeços

Às vezes
Dói por duas horas sem parar ou dois dias ou mais
Não me lembro

Às vezes
É raiva por não poder culpar
Ninguém que conheço

Desses trezentos e tantos
Dias infinitos

Outras tantas
Bastante dor mesmo

Mas sempre é saudade
Sempre o é
Saudade sempre é
Saudade

Comprimidos comprimem meus medos
Saio com gosto queimado na boca
Pego no sono escutando
Ao que me apego  
O vento lá fora uivando
E as folhas na janela batem
Quando partem os sonhos
A partir daí parto dali
Reparto saudade que faz sair
Água dos olhos e bebo
Um gole ácido de suco que
Forma o gás barulhento
Em minha boca e um babaca
Sorri o gesto gasto do gosto
Mais vermelho do que o sangue
Que tirei quando me mordi e
Inchou-me os lábios – da boca – e ouço
Um lobo uivando longe
E o vento? O vento não uiva
Assobia, sabia? E também
Acaricia a pele quando solto
Se me encara – minha cara – com carinho
Sentirá – meu hálito
Em sua fuça que me aguça
Os sentidos mais íntimos – comprimidos
Comprimem dores das mais ínfimas
Não vale um só – valeum
Não cale um dó
Comprimo meu corpo no seu
Imprimo o que sucede no copo
D´água que mata sede
Comprimidos comprimem dores
Pra acordar - atraso
Põe-me a corda no pescoço
Coço a cabeça à beça
Pra ajudar a pensar
Em como voltar – embora
Pra outro lugar que fiz ser mais
Ou menos o mesmo
Recebe-me com o azul mais colorido
Da parede que contrasta com
Seu lilás
Aliás -
A cor que lhe cai bem -
Caio na cama bem
Com o amargo saboroso do líquido
Amarelo espumando no bigode
Que não tenho
Comprimidos comprimem dores
E bodes
Chatos que amarramos
Melhor é sem tomar
Respira e não engole
Segura os ares
Comprimidos
Dormimos escutando o luar.




Dá-me um café
Com fé pra acordar
Deixe-me um chá 
Morno pra relaxar

Despeça-se perto
E me peça pra ficar
Que eu volto e
Solto o corpo 
Inteiro – e me
Amarro com
Nó de marinheiro –
Em seu olhar

Pago pra ver seu
Sorriso de graça 
Fazer-me navegar
Na risada mais aberta
Que me faz ancorar