A gente escreve poesia pro dia
Ficar mais ameno
Você pode ler todo dia
Que o dia fica mais sereno
A gente escreve poesia
Pra deixar a dor se esvair
Você pode ler a qualquer hora
Pode até se divertir
A gente escreve poesia
Não é pra ganhar dinheiro
Você pode até curtir
A gente escreve pra compartilhar
Você também pode, se gostar
Mas a gente escreve mesmo -
Poema - é pra sofrer menos
Dissolver algum problema
Que já não tem solução 
Vai por aí solto na contramão 
A gente escreve porque uma voz
bem aqui dentro 
Faz a gente levantar,
debruçar 
e rabiscar coisa que a gente nem pensa
só sente e como sente!
Senta um pouco
Vem olhar
E conte como se sente
Não precisa se sentar
Não é obrigado nem proibido
Pode tocar até o umbigo
Que já vale a pena
Você lê e entrega pro seu sujeito
A gente acha bom
Quando alguém lê no tom
E pode interpretar do seu jeito
Mas não julgue se não entende
Se entender pode criticar
A gente compreende
Mas não vai mudar
Porque é nossa verdade
E ela é bastante torta
Uma tortura de dar nó
Na garganta, mente e lá
Lá no fundo do inconsciente
Assim a gente escreve
Porque não consegue parar
Nem com esbregue
A não ser que comece a cantar
A gente escreve poesia
Pra aguentar o dia a dia
Essa gente que se vai
E esses que nem queria
Porque tem cada um
Que ´gente do céu´
Não se adoça nem com mel
E viver sem isso
A gente não suporta
A gente escreve poesia
Pra poder parar 
De chorar
E você?
Lê
Para
ou
Chora?

Se escrever alguma coisa
pode me mandar
Leio, conto e comento
Pode até me convidar
pra ficar um dia desses
bem agarradinho
Aplaudir o pôr do sol
Até o dia raiar

Qualquer dia,
Qualquer coisa,
Qualquer hora
A gente se escreve...

They found other brothers to my brothers
They gave other children to my mother
They made other friends to my friends

They are bothered
By my love

Couldn´t  teach me to talk
I dropped
They put me in another class

I flew, I ran, I walked
They shouted “stop”!
I tried another glass

In fresh papers
They told old stories
To mislead me

I´m afraid
Of all of these
I´m off

I was lost and black
They thought I was sick
And made me sad

I´m full of their advices
I´ll go somewhere else
I swear
I´ll pay the price

I need a piece
Of my missing, here,
Even without notice

They said – “You´ll come back
The same”
Come back, my little baby
Anyhow, for ever
I don´t care about the way

For you I pray
Among smiles and tears
Every single day

They tried to make my mind
They said - “care for each other” -
And turned away

They refused my words
And trusted in
A wonderful world
I´m bushed!
It is fake

Lord,
My divine Lord
Don´t give me time
Appear to me now
I need to know how
To play this game

I´ll learn the truth
Patiently

Lord,
My divine Lord
Grant me a promise
You will fix my heart
And arrange this mess

They want to turn me
Let me see
Do return
Make my head stop spinning
Let me be

Lord, make me fine
Give me, at least,
One more time
The last one
To see your real face
All blue
Let me see your truth

I´d like to read you
I want news
I´m starving for new letters
And songs too

They said “don´t worry”
I have done
It´s hard!
I got tired
Of going alone

Could you heat my back, Lord
Support me
I am lost
And full black
Let me see

I pray again
And again
And again
Until hear me

I pray
I beg relief,

Please.
Por sua casa ouço coração pulsar
Azul de luz graceja
Cobre meu peito e faz surrar

Por sua causa vida deu pra dar ré
Cinza em pó peleja
Estacionar

Por sua casa sinto vozes ao luar
Telhado arde prateado
Por ora é só orar

Por sua causa forço por amar
Ninguém mais
Tanto faz

Por sua causa é fácil demais lutar
Rebelde verde palhaço
Dum prepotente cansaço

Por sua casa, frio deixo-me
Branco
Sutilmente a chorar

Por sua causa durmo sem ter que acordar
Num marrom
Que ofusca olhar

Por sua casa, ao despertar
Roxo de sono
Corro pra não cansar

Por sua causa temo a esperar
Não uso aquela jaqueta
Desde quando veio a reclamar

Por sua casa varro mensagens
Em várias cores
Nem sei onde vou parar

Por sua causa viajo em mil segundos
Claro caindo
Sem sair do lugar

Por sua casa travo em vírgulas
Nem chego a pontuar
Qualquer enrosco de sopro a sonhar

Por sua casa escorro das portas que se abrem
E fecham pra me atormentar
Entro em becos que me invadem
Juro promessas que não me cabem

Por sua causa nem me visto pra festejar
Nem ouso amarelo
Não almejo almejar

Por sua causa a casa está vazia
Por sua casa somo noites sem magia
A cama macia cai de sono
Sem causar

Por sua causa sonho em pontes

Por sua causa não me importa o que calçar
Nem os pretos
Agradam-me cantar

Por sua casa vou descalço
Num vermelho de rosa
A qualquer lugar

Por sua causa eu culpo
Violentos percalços
E me culpo sem findar

Por sua causa julgo por não salvar
Em casa de muro terra
Murro instante que me encerra

Volta violeta, 
Volta, minha colorida?
Vem minha vida, brilhar.


Seu inverso de frequência
Faz-me rouco
Eloquência 
Diz-me louco
Sai de força e pressão
Surge acima
Vem de perturbação
Amanhece à minha vista
Traz a calma
Com a fúria
Redonda de sua dança
Faz graça
E balança
Vem e me acalma!
Alta,
Faz lambança
Vem com o vento de seu berço
Abaixa,
Traz o mantra
Vem mansinha, arrebenta
De repente
Vai e volta, vai e volta
Põe-me manto
Vem e lança
Consta a mente
Arrebata e sai contente
Vai e volta, vai e volta
Faz charme
Volta! Vem!
Alucina
Bate em peito
Perigo num umbigo
Espera!
Não reparo
Emoldo pele
Não, não paro
Areia mole
Que me rala
Sinto sol
Em boca minha
Envolve
Interna mente
Teu olhar
Que arde
Gosto de sal
Que não mente
Enrosco e toco
Meu cabelo
Destrói meu castelo
Faz-me rir
Dos beijos ternos
Que entreguei
A que não quero
Deito em camas
Que enterro
Faz-me gosto
O desgosto
Num deslize
De sorriso
Vem de brisa
Arrepia
Entorpece sem fumaça
Lança
Bem marola
Quando passa
Não enrola
Torce bico
De equilíbrio
Mais profundo
De águas
Mornas e
Veloz
Cidade
Cíclica - uh
Interage  
Com imagem
Engasgo som
Voz complica
Distante de sua terra
Que é água
Faz em mim 
lar - ah
A se banhar
Peço licença
Pra entrar
Entorpeço
Ofereço
Prendas minhas
Agradeço

Bem vindos, 
ao meu

MAR

Este baú sombrio do tamanho seu
Pinta cicatrizes
E linhas que se alinham 
A boca minha

Este baú grande e frio
Com choro escolhido
Guardou seus sonhos nossos
Reprimidos?

Essa caixa florida a que desvio o olhar
Entoa sons quadrados a decifrar
Notas que não ouso tocar

Essa caixa que lhe guarda
É capaz de escutar
Meu pranto
Ou sussurros de meus dedos?

Este baú não pulsa seu sangue
Essa caixa que não consigo enxergar
Levou daqui seu andar
Tirou seu sorriso do lugar
Teus cachos penteados em caixa
Teus olhos sumiram em cor
Seus óculos
Amplexos e ósculos
Assumiram seu olhar?

Vive em mim vida em flor
Viva em mim
Peço por qualquer Força
Viva em mim, por favor
Suplico
Replico a quem possa
Dar-me ombros pra molhar

Essa caixa que não lhe encaixa
Este baú que não combina
Com palavras minhas que já lhe dei
Com coisa alguma que escrevi
Algo que nem li ou recitei

Essa caixa fria não lhe guarda
Aguarda-me
Este espaço que ocupa
Pra onde irei
Não me acolhe em peça

Este baú que me atormenta os sonhos
E sons
Vindos das camas que lhe ninei

Essa caixa escolhe os cortes
Dos cabelos seus?
Traz minhas dores
Peculiares, escondidas, estarrecidas
Imensas, fortes
E todas as outras que ainda terei

Este baú me diz viva! VIVA!
Que o tempo lhe pertence
Em pedaço que estarei

Essa caixa fria e rude
Guarda maior loucura que formei
Tudo que pude
Quer cinzas dos seus verdes
Pretos, vermelhos e laranjas
Que admirei

Essa caixa fria
Esfria-me
Dos pés
Aos véus
Seus
Que esperarei

Este baú não é nosso
Nem tampouco foi por onde lhe criei

Esta caixa não nos encaixa
Nem seus braços e abraços
Ou pensamentos que tenho
Nem dos céus


Que repousei

Às vezes
Almejo um canto num tempo perdido pra cultuar
Meus amores sem ser punido

Às vezes
Quero só desabar num chão duro pra respeitar
O desentendimento alheio aos meus anseios

Todas as vezes
Que vejo seu sorriso por debaixo dos meus cabelos
Choro de vontade
Desses seus olhos que já
Não vejo

Nunca esqueço

Às vezes
A vida vence a verdade de morrer e endureço

Outras
A angústia invade com vontade de gritar e estremeço

Muitas vezes
Sinto a cabeça descolar e emudeço

Algumas noites
Ouço músicas que trazem você e entorpeço
Em sonhos vejo todo o seu corpo
Acordo e enlouqueço

Outras tardes
São fotos pra colar fatos e tropeços

Às vezes
Dói por duas horas sem parar ou dois dias ou mais
Não me lembro

Às vezes
É raiva por não poder culpar
Ninguém que conheço

Desses trezentos e tantos
Dias infinitos

Outras tantas
Bastante dor mesmo

Mas sempre é saudade
Sempre o é
Saudade sempre é
Saudade

Comprimidos comprimem meus medos
Saio com gosto queimado na boca
Pego no sono escutando
Ao que me apego  
O vento lá fora uivando
E as folhas na janela batem
Quando partem os sonhos
A partir daí parto dali
Reparto saudade que faz sair
Água dos olhos e bebo
Um gole ácido de suco que
Forma o gás barulhento
Em minha boca e um babaca
Sorri o gesto gasto do gosto
Mais vermelho do que o sangue
Que tirei quando me mordi e
Inchou-me os lábios – da boca – e ouço
Um lobo uivando longe
E o vento? O vento não uiva
Assobia, sabia? E também
Acaricia a pele quando solto
Se me encara – minha cara – com carinho
Sentirá – meu hálito
Em sua fuça que me aguça
Os sentidos mais íntimos – comprimidos
Comprimem dores das mais ínfimas
Não vale um só – valeum
Não cale um dó
Comprimo meu corpo no seu
Imprimo o que sucede no copo
D´água que mata sede
Comprimidos comprimem dores
Pra acordar - atraso
Põe-me a corda no pescoço
Coço a cabeça à beça
Pra ajudar a pensar
Em como voltar – embora
Pra outro lugar que fiz ser mais
Ou menos o mesmo
Recebe-me com o azul mais colorido
Da parede que contrasta com
Seu lilás
Aliás -
A cor que lhe cai bem -
Caio na cama bem
Com o amargo saboroso do líquido
Amarelo espumando no bigode
Que não tenho
Comprimidos comprimem dores
E bodes
Chatos que amarramos
Melhor é sem tomar
Respira e não engole
Segura os ares
Comprimidos
Dormimos escutando o luar.




Dá-me um café
Com fé pra acordar
Deixe-me um chá 
Morno pra relaxar

Despeça-se perto
E me peça pra ficar
Que eu volto e
Solto o corpo 
Inteiro – e me
Amarro com
Nó de marinheiro –
Em seu olhar

Pago pra ver seu
Sorriso de graça 
Fazer-me navegar
Na risada mais aberta
Que me faz ancorar



Eu
Que andava sem intervenção 
Acolhida em poesia 
Ouvia dores
Ou via

Eu 
Que estava longe de 
Qualquer padrão a fusão

Eu 
Que estava só em mim
Já era 
Fiz daquela hora 
Uma noite inteirinha 
Um outro sono
Novo bom dia 
Misturei não-sei-quê
Com mais coisa que perdia
Fui do desassossego ao
Amanhã a gente combina
Multipliquei sonho por vontade
Subtraí horas pelas tardes
Pra chegar onde eu não ia

Eu
Que estava recolhida 
Ali - em mim; sabe? na minha
Estou mais lá
Do que o frio que me dá
Na barriga
Aperta o peito
Dá-me o peito?!

Eu
Que não sei onde vou parar
Por causa desse dito olá 
Mudo pronome, verbo, tempo
Pra justificar essa saudade 
De coisa que nunca vi
Não vivi
Verdade parecida 

Reza a lenda 
Todo mundo ama uma vez 
Pelo menos 
Por vida 

Mas 
Eu? divido
Eu não, devido

Era eu duvido?