Pinta cicatrizes
E linhas que se alinham
A boca minha
Este baú grande e frio
A boca minha
Este baú grande e frio
Com choro escolhido
Guardou seus sonhos nossos
Reprimidos?
Reprimidos?
Essa caixa florida a que desvio o olhar
Entoa sons quadrados a decifrar
Notas que não ouso tocar
Essa caixa que lhe guarda
É capaz de escutar
Meu pranto
Ou sussurros de meus dedos?
Este baú não pulsa seu sangue
Essa caixa que não consigo enxergar
Levou daqui seu andar
Tirou seu sorriso do lugar
Teus cachos penteados em caixa
Teus olhos sumiram em cor
Seus óculos
Amplexos e ósculos
Assumiram seu olhar?
Assumiram seu olhar?
Vive em mim vida em flor
Viva em mim
Peço por qualquer Força
Viva em mim, por favor
Suplico
Replico a quem possa
Dar-me ombros pra molhar
Essa caixa que não lhe encaixa
Este baú que não combina
Com palavras minhas que já lhe dei
Com coisa alguma que escrevi
Algo que nem li ou recitei
Essa caixa fria não lhe guarda
Aguarda-me
Este espaço que ocupa
Pra onde irei
Não me acolhe em peça
Este baú que me atormenta os sonhos
E sons
Vindos das camas que lhe ninei
Vindos das camas que lhe ninei
Essa caixa escolhe os cortes
Dos cabelos seus?
Traz minhas dores
Peculiares, escondidas, estarrecidas
Imensas, fortes
E todas as outras que ainda terei
Este baú me diz viva! VIVA!
Que o tempo lhe pertence
Em pedaço que estarei
Essa caixa fria e rude
Guarda maior loucura que formei
Tudo que pude
Quer cinzas dos seus verdes
Pretos, vermelhos e laranjas
Que admirei
Essa caixa fria
Esfria-me
Dos pés
Aos véus
Seus
Que esperarei
Este baú não é nosso
Nem tampouco foi por onde lhe criei
Esta caixa não nos encaixa
Nem seus braços e abraços
Ou pensamentos que tenho
Nem dos céus
Que repousei


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