´Tá cedo, seu moço!

´Tá cedo, seu moço!
Senta aí pra ´tomá´ um café
´Vamo jogá conversa fora´
Nem sei quanto tempo ´inda´ tenho pra ´falá´

Eu ´tô morrendo, seu moço

É, eu sei que todo mundo vai ´morrê´ um dia
Só que eu ´to morrendo daqui a ´poco´ já
´Cumecei´ a ´passá mar´ 
e veio um ´doutô´ aqui que ´falô´ bem assim pra minha 'muié':
– “aqui nessa cidade não tem jeito, não tem condição, melhor rezar ou levá-lo pra outro lugar”

Ela não sabe ´rezá´, 
então ´achô mió chamá´ um ´ômi´ aqui da cidade pra ´ajudá´

Eu continuo sentindo ´dô´, às ´veis´ piora, às ´veis mióra´
Faço gosto que ele venha, ele me conta umas ´história´
Depois a gente ´faiz´ umas ´cantoria´

Esses 'dia' ele ´contô´ que tem um ´Moço´ que vai me ´acalentá´
Todo dia o 'cabra' fala desse ´Moço´ 
Diz que ele morreu pra ´sarvá´ todo mundo

´Num intendi´ ainda muito bem
Como é que ele vai ´sarvá´ todo mundo
Se ele já morreu também?

Daí o 'ômi' me ´expricô´
Que ´morrê´ num é ´morrê, morrê´ exatamente
A gente vai de um lado pro ´otro´
E as ´coisa´ fica um ´poco´ diferente

´Tô inté´ menos preocupado e mais contente 
Minhas ´moda´ ´tão mais bonita
Já sei ´inté rezá´

O ´ômi´ agora é meu amigo 
Fala tanto desse ´otro´ Moço 
que ´inté´ sonhei com ele já
Uma hora dá certo de a gente se ´encontrá´

´Mais´ eu ´num quiria í´ ainda não
´Tá cedo, seu moço!
´Bora cantá?´

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