Esmago sentimentos em suco
Corto a fruta ao meio
Desvencilho-me do contexto
Retiro as sementes
Foco em pensamentos e os esqueço
Distorço minhas vontades
Adoço pra instigar as mentes
Dos que sem o doce branco pensam estar ilesos
Ou são mais ilustres e defesos
Entorpeço a intolerância
Ignoro toda calma e construo minhas contradições
Escorre o líquido e como o bagaço
Nele consta meu desembaraço
Minha loucura, minha preguiça
E meu cansaço desse mundo
Que espreme meu sumo e me bebe impuro
Ninguém sabe ou saberá pois não assumo
Minha dor
Pra ter minha pureza
Há que se deitar comigo
Em muitas luas
E me acordar com águas de chuvas
Pode esmagar toda minha alma
Pois o que é etéreo não esmorece
Pela magnificência da vontade
E não se curva à maldade
Beba minha essência se for capaz
Entenda a eloquência do que não se desfaz
Trituro as peles em minhas mãos
Dos que promovem destruição aos meus sonos
Durmo em pelos macios
E fortaleço meus sonhos
Sem ilusão
Engulo raiva e vomito paixão
E a quem me tomar dignamente
exprimo o amor, então.


Exprima e esprema-me.
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